Os Crimes de Brenda Ann Spencer
Em 1979 a música nr. 1 no top de mais de 30 países era ocupado por "I Don't Like Mondays" dos Boomtown Rats. Esta faixa foi inspirada nos actos de Brenda que, quando indagada pela Polícia acerca do porquê da sua prática, respondeu simplesmente "Não gosto de segundas feiras. Mas isto vai animar o dia".

Foi, obviamente, numa segunda feira, no dia 29 de Janeiro de 1979, que Brenda tomou uma decisão que mudou toda a sua vida e a de outros. Esgueirou-se à janela do seu quarto, apontou uma espingarda para a escola do outro lado da estrada e disparou indiscriminadamente. Brenda assassinou 2 adultos, feriu 8 crianças e 1 Polícia.
O Director da Escola Primária Grover Cleveland, em S. Diego, Burton Wragg de 53 anos, foi o primeiro a ser atingido fatalmente enquanto tentava socorrer as crianças que entravam no recinto. O Auxiliar da escola, Michael Suchar de 56 anos, foi a segunda vítima mortal.

A história começou no dia 12 de Dezembro de 1954, data do casamento entre Dorothy Nadine Hobel e Wallace Edward Spencer. Na altura tinham 19 e 25 anos, respectivamente. O casal teve 3 filhos. Primeiramente, em 1956, veio Scott Matthew Spencer. Em 1958, a Família deu as boas-vindas a Theresa Lynn e, por último, no dia 3 de Abril de 1962, nasceu Brenda Ann Spencer.
Em 1972, alegando infidelidades por parte do Marido, Dorothy pediu o divórcio a Wallace. Presentes a Tribunal para regularem a custódia das crianças, os 3 filhos do casal foram ouvidos, afirmando preferir permanecer com o Pai.
Dorothy manteve contacto com as crianças durante algum tempo mas, decidindo seguir com a sua própria vida, afastou-se do papel de Mãe deixando os laços com os seus filhos dissiparem-se.
Brenda, desde pequena, que expressava não gostar da sua aparência. Mas, apesar dos seus complexos com o seu físico, sempre se portou bem. Aparentava ser uma Menina feliz e integrada. Praticava vários desportos e era uma fotógrafa talentosa. Chegou a ganhar o primeiro prémio de fotografia por parte da Humane Society. Porém, quando tinha apenas 9 anos, data do divórcio dos Pais, o seu comportamento mudou.
Brenda passou a ser uma menina introvertida, antissocial e com baixa autoestima, passando a ser motivo de galhofa entre os pares.
Com 16 anos, tinha 1.70 de altura, usava óculos espessos para a miopia, tinha a cara sardenta, cabelos longos e ruivos e era extremamente magra. Chegou a ser descrita por uma colega de escola como tendo uma aparência horrível.
Na maior parte das vezes, o Pai chegava alcoolizado a casa, porém, quando estava sóbrio, mantinha uma boa relação com os Filhos. Branda e Wallace passavam horas a disparar armas.
Em 1978, após Brenda faltar consecutivamente às aulas, começou a frequentar uma instituição para crianças problemáticas. Após algumas avaliações psicológicas, o seu Pai foi informado que a jovem tinha profundos pensamentos suicidas, porém, não foram tomadas medidas.
No Verão desse ano, Brenda disparou uma pressão de ar contra os vidros daquela mesma escola e roubou alguns objectos. Foi imediatamente apanhada tendo ficado sinalizada numa espécie de liberdade condicional.
Em Dezembro, o assistente que acompanhava Brenda e a sua evolução, aconselhou o Pai da adolescente a institucionalizá-la. A adolescente sofria de depressão profunda mas Wallace não deu consentimento.
Não impunha regras aos Filhos pois, ele próprio, regia a sua vida com poucas. Deixava drogas e álcool espalhados pela casa com frequência e, eventualmente, Brenda começou a abusar das substâncias do Pai.
Naquele Natal, apesar dos problemas da jovem, Brenda recebeu uma espingarda como presente, acompanhada de 500 munições. Foi o próprio Pai quem lhe deu o presente.
Brenda tinha pedido um rádio como prenda de Natal, ficando bastante surpresa com o mimo do Pai. No entanto, convenceu-se que Wallace lhe tinha dado a espingarda para que, finalmente, pudesse concretizar os seus pensamentos suicidas. Mas, em vez disso, Brenda fez outros planos. De acordo com os seus colegas da escola, na semana anterior ao ataque, a miúda informou que ia concretizar algo de tão grande que ia aparecer na televisão.
Decidiu avançar com o seu plano no dia 29 de Janeiro de 1979.
Brenda decidiu atacar os alunos e funcionários da Escola que tinha frequentado até 1974.
O ataque começou pelas 8h30 da manhã, altura em que as crianças começavam a chegar à escola e durou cerca de 20 minutos. Disparou aleatoriamente em direcção ao recinto escolar.
Notícia dos acontecimentos: https://www.youtube.com/watch?v=SI0cJ2tpPwM
Brenda só parou o tiroteio quando um Polícia, auxiliado pelo Segurança de uma escola próxima, colocou um camião do lixo em frente às instalações para fazer de escudo. Autoridades e Professores conseguiram evacuar as cerca de 300 crianças do recinto por uma saída do lado oposto ao de casa de Brenda.
Quando terminou, a adolescente barricou-se na sua própria casa, ameaçando reiniciar o tiroteio caso não a deixassem em paz. Acabou por atender o telefone de casa e falar com um Jornalista do San Diego Evening Tribune. Quando o homem lhe perguntou por que razão tinha feito aquilo, Brenda respondeu: "Não gosto de segundas-feiras. Mas isto vai animar o dia".
Só 7 horas após o acontecimento é que Brenda Spencer saiu da sua casa com as mãos no ar.
Tinha dito ao seu Pai que estava a sentir-se doente e que não ia às aulas naquele dia. Daí estar em casa àquela hora. A jovem mostrou-se surpreendida por ter morto apenas 2 pessoas e afirmou gostar de ver as crianças a contorcerem-se no chão depois de serem atingidas.
Levada à justiça, Brenda deu-se como culpada por 2 homicídios e ataque com arma perigosa. Ao todo, foram 12 acusações.
Conseguiu evitar a sentença de pena de morte, devido aos seus 16 anos, na altura dos crimes. No entanto, devido à gravidade dos seus actos, foi julgada como adulta.
No dia 4 de Abril de 1980, um dia após o seu 18º aniversário, Brenda Ann Spencer foi sentenciada de 25 anos a prisão perpétua.
Brenda foi sujeita a vários testes, tendo sido detectada uma lesão no lobo central. Provavelmente, a contusão tinha ocorrido na sequência de uma queda de bicicleta ou, em hipótese, numa das tareias que tinha levado do seu Pai.
Segundo alguns especialistas, esta lesão pode ter sido responsável pela sua conduta errática, tendo levado a jovem a cometer estes crimes.
Ao longo dos anos, pediu várias vezes a liberdade condicional mas, os testemunhos dos sobreviventes e dos familiares das vítimas mortais, impediram que Brenda fosse libertada.
Encontra-se a cumprir a sua pena na Prisão de Corona, na Califórnia.
Christy Buel, na altura com 9 anos, foi atingida no abdómen e nas costas. Ficou um mês hospitalizada e contou com mais um ano e meio de recuperação. Nas entrevistas que deu, indicou ter recuperado totalmente fisicamente mas psicológica e emocionalmente, ficou com mazelas para sempre.
Monica Selvig, na altura com 8 anos, sobreviveu a uma bala que lhe perfurou o estômago, saindo perto da coluna vertebral.
Julie Roble, com 10 anos naquela data, sobreviveu a um tiro que lhe passou perto dos rins.
Charles Miller, tinha 9 anos, quando sobreviveu a um tiro no peito.
De acordo com alguns estudos e estatísticas, o comportamento e personalidade de Brenda apontavam para que uma tragédia acontecesse.
Cerca de 87% dos atiradores em massacres em escolas nos EUA, foram vítimas de bullying por serem novatos, obesos, estrábicos, gagos, ruivos, portadores de limitações físicas ou mentais, negros, tímidos, homossexuais ou membros de outros grupos étnicos.
No caso de Brenda Spencer, tratava-se de uma jovem ruiva, tímida e homossexual, apesar de, nesta altura, não ter ainda assumido a sua sexualidade.
